Inflação, apagão e alta dos juros

O baixo nível de água nos reservatórios das hidrelétricas e a alta da inflação podem prejudicar a alardeada recuperação da econômica


Por Vivaldo de Souza

Publicado no site de notícias Misto Brasília em 16/06/2021

Num momento em que o governo estuda medidas para evitar o racionamento de energia elétrica neste ano, o Banco Central deve subir novamente a taxa básica de juros da economia (Selic) nesta quarta-feira (16). O baixo nível de água nos reservatórios das hidrelétricas e a alta da inflação, que fez o BC elevar os juros em março, podem prejudicar a recuperação da econômica alardeada pelo Ministério da Economia.

Os dados já divulgados mostram que essa recuperação está dentro do esperado, mas ainda restam dúvidas se ela se manterá nos próximos meses. O anúncio feito pelo governo da prorrogação do pagamento do auxílio emergencial, aparentemente por mais dois meses, certamente vai estimular a economia, mas a vacinação, ainda lenta, é um fator negativo adicional para o setor produtivo.

Embora a extensão do auxílio emergencial seja uma (necessária) forma de manter a assistência às famílias enquanto a imunização da população contra a Covid-19 ainda avança nos Estados, a medida busca também evitar um vácuo até o lançamento da nova política social permanente do governo Bolsonaro. De quebra, pode ajudar a evitar que a popularidade do presidente caia ainda mais.

Em relação à inflação, o Boletim Focus desta semana, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (14), trouxe mais uma rodada de deterioração das expectativas de inflação de 2022, que subiram de 3,70% para 3,78%. Com esse cenário em mãos, a expectativa do mercado financeiro é de que aumentaram as chances de uma elevação de 1 ponto percentual na Selic, atualmente em 3,5% anuais. Mas a principal aposta é de uma alta menor, de 0,75 ponto percentual.

Com o objetivo de evitar o racionamento de energia elétrica, o governo prepara uma medida provisória (MP) que tira poderes da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Ibama na gestão dos reservatórios de usinas hidrelétricas, num momento em que os níveis das principais barragens estão em mínimos históricos. A MP amplia ainda o poder do Ministério de Minas e Energia sobre concessionárias do setor elétrico e de petróleo e gás para adoção de medidas com vistas a garantir o abastecimento este ano.

O governo pretende ainda ampliar os incentivos financeiros para que grandes consumidores de energia, especialmente a indústria, reduzam o consumo nos horários de pico. Também está em estudo alterar as vazões de reservatórios de usinas hidrelétricas, entre outras medidas para facilitar a gestão da água das barragens. Vale lembrar que o último racionamento de energia elétrica foi em 2001, há 20 anos.



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