Qual o futuro do trabalho?


Por Vivaldo de Sousa

Entre 40% e 50% dos servidores públicos federais devem se aposentar nos próximos anos, segundo estimativa divulgada na semana passada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, durante evento na Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro (FGV-RJ). Ele disse ainda que o governo não pretende fazer concursos para contratar novos servidores para repor as vagas de quem se aposentar, mas sim investir na digitalização das atividades da administração pública federal.

A digitalização é uma das características da chamada indústria 4.0, também classificada por especialistas como a quarta revolução industrial. Resumidamente, a indústria 4.0 é um modelo de indústria em que a produção é baseada na interação automatizada com o uso de inteligência artificial, computação “em nuvem”, internet das coisas (IoT) e big data. É mais do que substituir o trabalho humano pelo uso de máquinas e suas consequências vão além da indústria e impacta todos setores da economia.

A digitalização das atividades na administração pública proposta por Guedes tende a diminuir o número de servidores públicos ao longo do tempo, o que não significa necessariamente a redução de gastos - embora as despesas com o pagamento de pessoal tendam a cair ao longo do tempo. A digitalização vai exigir novos investimentos em tecnologia e também em recursos humanos. Além da aquisição de equipamentos, será preciso investir na capacitação profissional dos servidores públicos.

Divulgado em outubro do ano passado, o estudo Future of Jobs Report, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, traçou algumas das principais tendências para o trabalho entre 2018 e 2022. Foram analisados 20 diferentes economias e 12 setores da indústria, indicando onde e como devem surgir ou começar a desaparecer postos de trabalho, quais as habilidades e competências necessárias que o trabalhador precisa ter para essa nova realidade, entre as quais estão flexibilidade e capacidade de aprender a aprender.

De acordo com o estudo, o uso de novas tecnologias pelas empresas, não somente pela indústria, deve ser liderada pela internet mobile de alta velocidade, inteligência artificial, análise de big data computação em nuvem e impressão 3D. E os diferentes setores econômicos serão afetados de distintas maneiras. A participação de robôs humanoides deve chegar a 23% nas empresas até 2022 nos países mais desenvolvidos, com destaque para as áreas de serviços financeiros e investimentos.

Tecnologias relacionadas à robótica, por exemplo, devem ganhar mais espaço em setores como a indústria automobilística. Robôs aéreos e submarinos devem chegar a 19% das empresas, especial na indústria de petróleo. Ainda de acordo com o estudo, hoje, cerca de 71% do total de horas de trabalho são cumpridas por humanos, enquanto máquinas e algoritmos se ocupam dos demais 29%. Até 2022, a divisão deve mudar para 58% por humanos e 42% pelos sistemas. 

O estudo mostra que, entre as habilidades com crescente demanda, estão competências relacionadas à tecnologia, como pensamento analítico, aprendizado ativo e design tecnológico. Apesar disso, habilidades “humanas”, como criatividade e originalidade também devem permanecer em alta ou ter sua demanda aumentada, enquanto a valorização de inteligência emocional e liderança devem crescer. A exigência por habilidades como destreza manual, resistência e precisão tende a cair.

Neste cenário, o aprendizado será constante. Em 2022, conforme o estudo, todos os empregados precisarão de uma média de 101 dias de aprendizado e aperfeiçoamento pessoal por ano. “Uma abordagem abrangente ao planejamento da força de trabalho, requalificação e melhoria de qualificações” devem ser a chave para o gerenciamento de tais tendências, conclui o estudo. Esse futuro, embora já seja uma realidade em muitos países e atividades, ainda está a ser construído.

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