Queda de emprego e de renda aumenta endividamento das famílias brasileiras

Endividamento em abril ficou em 36%, também recorde para a série histórica


Por Vivaldo de Sousa

Publicado no site de notícias Misto Brasília em 28/07/21


Com o desemprego em alta e sem perspectiva de queda significativa no curto prazo, um outro dado divulgado nesta quarta-feira (28) pelo Banco Central merece nossa atenção: o endividamento das famílias brasileiras em abril ficou em 58,5%. Esse é o maior patamar da série histórica, iniciada em janeiro de 2005.


Os dados coletados pelo BC confirmam as dificuldades que as famílias brasileiras estão enfrentando durante a pandemia não apenas para conseguir pagar as contas do dia a dia, mas também para atividades básicas, como se alimentar. Enquanto o consumo de carne caiu 44% na pandemia, o de ovo subiu 18,8% no mesmo período.


Mesmo descontando as dívidas imobiliárias, com pagamento em atraso em várias famílias, o endividamento em abril ficou em 36%, também recorde para a série histórica. A busca por um empréstimo, seja no tradicional banco ou recorrendo a outras fontes, é uma das maneiras encontradas pelas famílias para tentar fechar as contas.


Em abril do ano passado, no segundo mês da pandemia, o endividamento total das famílias estava em 49,2%, um porcentual 9,3 pontos porcentuais menor que o visto em abril deste ano, segundo os dados do BC. E o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas permanece acima de 30% desde abril de 2020.


Recriado com o mero objetivo de arrumar espaço para “novos” aliados políticos na administração Jair Bolsonaro (sem partido), dificilmente o Ministério do Trabalho e da Previdência terá soluções de curto prazo para resolver o problema do desemprego. Mas certamente atuará para melhorar o resultado no ano eleitoral de 2022.


Se o cenário para o desemprego e para ao endividamento das família ainda é negativo, a situação não é melhor em relação à inflação. O mercado financeiro já trabalha com uma estimativa de 6,56% para o IPCA deste ano. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo é o indicado oficial de inflação no Brasil.


Inflação em alta vem acompanhada de elevação também na taxa básica de juros, cuja estimativa para o final deste ano está atualmente em 7%. Hoje, a taxa básica de juros está em 4,25% ao ano. De positivo temos a previsão de crescimento da economia em 2021, que passou de 5,27% para 5,29%. Depois de uma queda 4,1% em 2020.