Segundo semestre poderá representar novo recomeço na economia

Pro Vivaldo de Sousa |


Às vésperas do governo Bolsonaro completar 18 meses, o Banco Central deve reduzir nesta quarta-feira (17) a taxa básica de juros para o menor patamar histórico, dos atuais 3% ao ano para 2,25%, segundo expectativa da maior parte dos analistas econômicos. Mesmo com inflação em queda, o governo não tem muito o que comemorar na área econômica. Os indicadores oficiais devem mostrar um forte aumento no número de desempregados no primeiro semestre, além do fechamento de diversos negócios.

Mas julho pode ser visto como uma oportunidade de recomeço para o Ministério da Economia. Embora o ministro Paulo Guedes continue a defender que é importante avançar nas reformas estruturais para retomar o crescimento econômico, será preciso negociar um conjunto de medidas pós-pandemia que fuja do receituário liberal que ele sempre defendeu. Num cenário ainda polarizado, com bolsonaristas ampliando ataques ao Legislativo e ao Judiciário, será necessário ampliar o diálogo com esses poderes.

Sem esse diálogo, será ainda mais difícil superar a crise econômica e a crise sanitária, com um quadro ainda crescente nos novos casos do novo coronavírus. O resultado da reabertura da economia iniciada por diversos Estados e municípios, mesmo com medidas de prevenção, ainda é uma incógnita, tanto do ponto de vista da recuperação da atividade econômica, provavelmente num ritmo ainda mais lento do que o registrado no primeiro trimestre, quanto do aumento no número de contaminados e de mortos.

Com 2020 praticamente perdido do poto de vista econômico, as negociações entre Executivo e Legislativo ao longo do segundo semestre serão fundamentais para reconstruir o país nos próximos anos. Tudo indica que parte dos incentivos concedidos entre março e junho, incluindo o auxílio emergencial e facilidades na concessão de crédito para empresas, precisarão ser mantidos ou ampliados para estimular a recuperação em 2021. Ainda que o Brasil tenha peculiaridades, essa é uma luta na qual não estamos sós. Desafios semelhantes são enfrentados por todos os países.


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